Visitando um navio cargueiro

Semana passada eu e alguns colegas da minha empresa fomos a Felixstowe ao sul da Inglaterra conhecer o Porto. Não posso dizer que tenha sido novidade pra mim, afinal durante quase três anos como crew member, conheci incontáveis portos ao redor do mundo, inclusive o segundo maior da Europa, Hamburgo na Alemanha e quando comecei a trabalhar com importação em Itajaí SC, a ida e vinda ao porto era constante, mas o que tornou a nossa visita ainda mais interessante e inédita (pra mim) foi visitar um navio de carga.

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A visita começou com uma recepção no Porto onde a guia nos explicou todo o funcionamento,  como os guindastes operam e o planejamento para otimizar o tempo e conseguir liberar o navio o mais rápido possível. Felixstowe é o maior porto da Inglaterra em termos de volume e movimentação, perdendo em tamanho físico para London Gateway, que está investindo pesado em busca de cargas. As estimativas é que em alguns anos se torne o principal, mas a sua localização, tem atrasado um pouco esses planos.

Como o Porto fica às margens do Rio Tâmisa os navios tem um longo caminho a percorrer rio acima até chegar acrescentando em média 10 horas (entrada e saída) a mais na rota que se o navio atracasse em Felixstowe. Esse tempo gera muito mais custos, como combustível, praticagem e o próprio tempo, afinal tempo é dinheiro, o que está encarecendo as operações marítimas, fazendo com que o porto tenha buscado oferecer fretes mais baixos para atrair mais importações.

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Depois da palestra a guia levou a gente de van conhecer o Porto todo, explicando cada etapa, cada setor e seu funcionamento. Ela era ótima e acabamos ficando mais tempo que o esperado, por volta do meio dia e meio ela nos deixou na gangway do navio.

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A MSC que é a companhia marítima usada pela minha empresa e que organizou toda a visita pra gente queria mesmo impressionar e escolheu um navio bem grande pra gente visitar. O MSC Oscar, com quase 400 metros de comprimento e capacidade para 19 mil TEUs (Twenty Foot Equivalent Unit, ou seja cada TEU equivale a 1 container de 20ft) se colocássemos nesse navio somente containers de 20ft seriam 19 mil containers. É coisa pra caramba!

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Quando chegamos, as importações já tinham sido descarregadas e eles estavam carregando os containers de exportação em torno de 4 mil containers e para que a operação seja feita o mais rápido possível, 7 gruas trabalhavam ao mesmo tempo.

Fomos direto para a bridge onde o capitão estava nos aguardando, quer dizer os capitães, pois eram dois. Um deles está indo de férias após 8 meses a bordo e o outro veio para substituí-lo. Os dois italianos e o primeiro era uma figura ou o comportamento era reflexo de muito tempo a bordo.

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Depois da bridge nos levaram até a casa de máquinas para ver o motor do navio, os geradores, compressores e toda a coisa que faz esses gigantes do mar navegarem. O navio tem 4 geradores, mas em porto apenas 1 fica em funcionamento, antes de iniciar o motor para a partida eles ligam o segundo, que geralmente é desligado depois que o navio zarpa caso eles não tenham muitos containers refrigerados que precisam de energia e dois ficam de emergência.

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Há também uma sala que é tipo a oficina do navio, que é onde eles consertam todas as peças que estragam e até constroem peças novas, afinal caso alguma coisa estrague em alto mar eles tem que ser capazes de se virarem sozinhos.

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Ao todo são 22 tripulantes no navio e seus contratos duram de 6 a 8 meses. Dificilmente eles saem já que os turn around são tão curtos, os portos estão se modernizando cada vez mais para agilizar a carga e descarga que não dá mais tempo dos tripulantes descerem. Um dos tripulates os comparou aos ônibus, chega descarrega, carrega e vai embora.

Imagino como dever ser difícil passar 8 meses a bordo sem praticamente pisar em terra. Se pra gente era difícil aguentar 6 meses, podendo descer passear, turistar, pra eles então deve absurdamente maluco.

 

 

Port of Felixstowe

Tomline House

The dock

IP113SY

 

 

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