6 meses de Inglaterra

Pois é, minha gente, meio ano já se passou desde aquele dia 10 de abril, quando nos depedimos da família e amigos e embarcamos a caminho da Terra da Rainha de mala e cuia, só mala na verdade,porque não tinha espaço pra cuia.

imageO que dizer desses 6 meses? O Junior sempre me falou que tudo aqui caminhava a passos largos, que as coisas eram agilizadas e seu sempre ficava com um pé atrás achando que era exagero dele. Ainda bem que me enganei. E por aqui quem não corre, voa.  A maior prova disso foi quando deixei meu currículo em uma agência e me chamaram para uma vaga em uma multinacional, era sexta-feira e a empresa ficava numa área industrial de difícil acesso. Como a agência sabia que eu dependia de transporte público ela deixou que eu pesquisasse o local e respondesse mais tarde. Depois de passear pelos arredores na sexta de manha, entrei em contato com a agencia depois do almoço pra dar a resposta e pra minha surpresa a vaga já tinha sido preenchida. Isso mesmo, em menos de 4 horass preencheram a vaga e eu fiquei a ver navios. Enquanto eu, tonta, fazia o reconhecimento do terreno e pesquisava sobre o transporte público já tinha gente sendo entrevistada e assinando contrato.Graças ao bom Deus a empresa abriu mais uma vaga na semana seguinte e nem pestanejei em me candidatar.

A impressão que tenho é que aqui as pessoas são mais ativas, não sei se porque cheguei em abril e logo começou a esquentar, mas parece que o povo gosta é de se movimentar, vejo pelos meus colegas de trabalho, todo fim de semana tem uma programação: ou vão fazer esporte aquático, ou vão subir montanha, ou participam de corridas de ciclismo, ou de maratona na lama. Incrível!  E acho essa disposição contagiante, pra eles, deixar o fim de semana passar sem fazer alguma coisa é too boring.

Confesso que os primeiros meses foram um pouco difíceis, sofri de dores de cabeças diárias desde a hora de acordar, quando eram mais fortes até a metade da tarde, quando enfraqueciam e sumiam. Dizem que é o corpo se adaptando sei lá, mas Graças a Deus elas passaram.

No mais, tenho achado até fácil me adaptar aqui, ( quem viveu numa cabine 2×2 sem nenhuma folga na semana isso aqui é um paraíso) acho que chegar aqui em meados de abril com o clima já melhorando e com o verão todo pela frente ajudou, bastante. Me sinto mais preparada para enfrentar o frio que vem chegando e já me adaptei  à cidade, ao trabalho, a rotina que criamos aqui deixando por último o que acho que vai ser o mais difícil: o clima.

Mês passado comecei a dirigir, trabalho aqui pertinho, levo 15 minutos de carro, mas é uma àrea de difícil acesso para o transporte público então minha independência automobilistica era uma meta a ser alcançada. Fiz minha carteira provisória porque a carteira internacional só vale por um ano e agora estou me preparando para fazer os testes: teóricos e práticos. Estou me sentindo como se tivesse 18 anos de novo. (Sem nostalgia).

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Percebi que os ingleses são muito educados e bem mais pacientes no trânsito, você nunca espera muito tempo para entrar em uma rua movimentada, sempre vai ter alguém que vai parar e deixar você entrar, e no final, erguem a mãozinha para te cumprimentar. Ora você dá passagem, ora eles deixam você passar e todos ficam felizes.

Num balanço geral ainda estou em lua de mel, descobrindo tudo que o lugar tem a me oferecer, tudo ainda é novidade, tudo ainda é descoberta,  tô adorando meu trabalho, meus colegas, e a cada dia que passa a vida melhora mais. Me considero uma pessoa de sorte e agora só espero me adaptar ao frio como me adaptei a todo o resto.

Posso dizer que esses seis meses passaram voando, e agora, que venham os próximos seis!

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Divisor de águas

Chega um momento na vida da gente,  que você olha ao redor  e se dá conta que precisa sacudir a poeira fazer alguma coisa diferente da vida. Pois é…  Esse momento chegou pra mim em meados de 2008.

Formada em Letras, trabalhando há 7 anos como professora de series iniciais e finais do ensino fundamental, estava decidida a buscar algo diferente. Pensava em fazer várias coisas, mas tudo girava em torno de dinheiro, não tinha dinheiro para viajar, não tinha dinheiro para iniciar outra faculdade, não tinha dinheiro para fazer um intercâmbio. O que fazer, então?

Tenho que achar um trabalho que me possibilite viajar!!

Aeromoça quem sabe?

Fui tentar, cheguei a fazer uma entrevista para a Fly Emirates, mas eu não tinha um requisito básico para a profissão: altura! Com os meus 1,54 reprovei já na segunda fase. Entrar para a escola de aviação nem pensar, para fazer a matrícula tinha que ter 1,65. Que falta de sorte ou de hormônio do crescimento!

Até que um dia durante uma conversa no intervalo uma colega me disse que assistiu a uma reportagem sobre trabalho a bordo de navio de cruzeiros e lembrou-se de mim.

Curiosa, mas não tão certa de que realmente era esse o “algo novo” que estava procurando, fui buscar mais informações a respeito.

Era uma sexta-feira do mês de setembro, cheguei em casa e fui pesquisar na Internet  sobre o assunto e descobri que as inscrições acabavam no sábado pela manhã, ou seja, no dia seguinte. Era ou vai ou racha, não tinha muito tempo pra pensar no assunto.

Fui dormir naquela noite tentando decidir se realmente eu iria acordar às 5 da manhã, me deslocar até Porto Alegre para essa entrevista, se eu nem sabia direito se queria mesmo aquilo… Mas fui. Um pequeno detalhe, chovia canivete naquele dia.

Ao chegar ao local da entrevista, um hotel no centro da cidade, estavam todos os candidatos aguardando numa sala de espera. Juntei-me a eles e comecei a observar. Vi alguns já praticando o inglês (já que a entrevista seria nesse idioma), outros lendo revistas, e alguns poucos tentando se enturmar puxando uma conversa aqui outra ali, mas a grande maioria estava calada. Reparei em especial em um homem, com mais ou menos 40 anos, que falava um inglês muito bom, com uma naturalidade e fluência de causar inveja. Pensei no meu inglês e fiquei envergonhada.

Como se não bastasse de 5 em 5 minutos vinha um dos organizadores dizendo que quem não estivesse seguro com seu inglês que repensasse a participação na entrevista, pois a seleção era para uma empresa americana e era necessário inglês avançado. (Bem assim, acreditam? Na hora pensei que já tinham poucas vagas e estavam mesmo era dispensando o pessoal).

Batia aquela insegurança e cada vez que ele voltava e repetia a frase eu ficava a ponto de levantar e sair da sala como muitos faziam. Era até engraçado, mal o organizador terminava de falar e as pessoas se olhavam, davam uma disfarçadinha, iam até o bebedouro e caiam fora. Mas pensei: não acordei às 5 da manhã, enfrentei a chuva torrencial e um busão pra chegar aqui e ir embora sem nem tentar.

Lá pelas tantas, chamaram a gente para outra sala, deram as informações gerais e começaram a chamar para a entrevista. Chamavam em duplas já que o objetivo dessa primeira entrevista era somente avaliar seu nível de inglês e dar uma checada no seu currículo, ver se havia posições pra nos encaixar.

Quando me chamaram, levantei e me dirigi até a sala, e para minha surpresa meu parceiro de entrevista era justamente aquele candidato do inglês de dar inveja. Meu Deus!! Por que justo ele? Vou passar vergonha certo, pensei cá com meus botões.  Respirei fundo e fui já que não tinha outra escolha.

O entrevistador era muito simpático e atencioso e a entrevista foi super tranqüila. Ao final até agradeci ter tido a oportunidade de conhecer o “homem do inglês mega-avançado” que era muito “gente boa” e falava tanto que quase não consegui abrir a boca. Sorte a minha. Fui selecionada. Tivemos curso no domingo e na segunda-feira já faríamos a entrevista final com o representante da Royal Caribbean.

Na semana seguinte, saiu a lista dos selecionados para embarcar e eu estava lá. Seria tripulante da Royal Caribbean International. Pomposo? Nenhum pouco. Mas que era diferente era.

Vision